sábado, 31 de julho de 2010

He, He, He... Como é engraçado esse mundo. Como podem as pessoas agirem dessa forma? Há uma con-traditória tão grande, uma verdade ou uma dúvida que se esconde atrás da ignorância e da incompre-ensão, que quando me deparo aos seres conturbados do subúrbio agitado, apenas sobra-me o riso. Ob-servo por um momento, e o que encontro não são pessoas, mas sim corpos sem alma que são influen-ciadas pela incerteza, pela falta de opinião pró-pria, sobrando-lhes apenas a sombra da indecisão e do medo, seguindo-as pelo caminho da vida sem sen-tido e vagarosa, passando essa cultura peçonhenta às gerações seguintes, infectando esse mundo já infectado, enchendo esse mundo de pessoas tolas e tapadas que já se encontra tolo e tapado, ensinando ao “futuro” a incapacidade de gerar frutos e de comer esses frutos, tornando o que já é ruim, pior, abastecendo-se de constrangimentos, incertezas e conflitos, fazendo de uma simples cova em um poço de almas vagantes e geladas.

Criado dia 31/05/2010

Adam Silva
Ó Felicidade

Ó felicidade que tanto me avulsa
Que desperta em mim, um desejo
O meu sentimento se aguça
Só te sinto, não te vejo

Queria ao menos poder tocá-la
Mas se esconde, é traiçoeira
Como eu faço para encontrá-la?
Ela é rápida e sorrateira

Ó felicidade, por que me enganastes?
O que fiz para merecer?
Os meus sonhos que agora desastres
Vivem em uma mania de maldizer

Chora ó coração, triste a acalentar
Bates cada vez mais lento
Com esperança de te encontrar
Mas o tempo passa como o vento

Siga seu caminho, não se explique
Pode ir, mas depois reapareça
Expande-se, se multiplique
Pra que meu coração nunca te esqueça

Ó felicidade, agora posso te ver
Apareça, sei que não vai mentir
Naturalmente tudo pode acontecer
Posso não tocar, mas eternamente sentir

(Adam Silva – 28/06/10)









O APANHADOR DE DESPERCÍCIOS


Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras fatigadas de informar.
Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão
Tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
E aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
Para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de se feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios: Amo os restos
Como as boas moscas.
Queria que minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
Eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

(Manoel de Barros. Livro: Memórias Inventadas, As Infâncias de Manoel de Barros)